Entendendo a Homeostase
Mudar pode causar resistência. Afinal, é justo que a mente queira segurança e previsibilidade, e geralmente conseguimos isso no que já é familiar para a gente. Alterar isso significa quebrar a lógica conhecida — mas não significa que só não queremos melhorar.
Na Terapia Familiar Sistêmica, falamos de homeostase para nos referirmos àquele jeito de funcionar para preservar um equilíbrio, manter a estabilidade. Passamos a agir de uma determinada forma porque isso tem alguma função para nós. Buscar a homeostase, por si só, é inerente a cada um, e não precisamos definir como algo bom ou ruim. O problema é que, às vezes, os padrões que estabelecemos podem não fazer mais sentido (ou até causar danos).
E agora?
A boa notícia é que a nossa vida é dinâmica. Nenhum de nós continua a mesma pessoa que já foi: nós aprendemos, nos adaptamos. E tudo o que foi construído pode ser reconstruído — claro, se tivermos uma chance de tentar.
O setting terapêutico surge com a ideia de ser esse espaço seguro para experimentações. Nele, podemos pensar em novos posicionamentos, em atitudes diferentes. Sem julgamentos, sem desamparo e sem que surjam riscos com os quais não possamos lidar. Podemos, então, nos permitir construir novas referências, no nosso próprio ritmo.
Ou seja…
A mudança não necessariamente vai acontecer porque “tem algo errado”. Ela vem, em primeiro lugar, porque alguém pergunta: e se existisse outro jeito?
Talvez esse alguém seja você. E talvez, por mais desafiador que seja, não precise ser solitário.
